Um caso de invasão de apartamento em condomínio de São José dos Campos acendeu um alerta que muitos prédios ainda tratam como assunto menor: conflito entre vizinhos pode virar caso de polícia. Segundo o g1 Vale do Paraíba, a Polícia Civil investiga a suspeita de perseguição após um homem ser apontado como invasor do apartamento de uma vizinha.

A reportagem informa que o caso aconteceu em um condomínio no Jardim das Colinas. A moradora relatou intimidações anteriores em áreas comuns, como encontros no elevador, e disse ter passado a se sentir insegura. Na madrugada da invasão, o casal percebeu a presença de uma pessoa dentro do banheiro depois que os cachorros começaram a latir.

Ainda segundo o g1, o suspeito teria usado lençóis como corda para acessar o apartamento vizinho. O caso foi registrado inicialmente como violação de domicílio. A vítima pediu medida protetiva e a perícia foi acionada para analisar o imóvel.

O ponto para síndicos não é investigar crime por conta própria. Isso é papel da polícia. O papel da gestão é não se omitir, preservar registros, orientar o fluxo correto e evitar que a situação vire fofoca de grupo, exposição da vítima ou julgamento paralelo.

A matéria complementar do g1 ouviu especialistas que orientam formalizar reclamações, guardar provas como mensagens e imagens de câmeras, e registrar boletim de ocorrência em situações de perseguição, ameaça ou invasão de privacidade.

Também é importante distinguir conflito privado de risco coletivo. Se duas unidades discutem por barulho, o condomínio pode atuar com registro, advertência, mediação e multa quando cabível. Mas, se há relato de invasão, perseguição ou ameaça, a resposta precisa sair do improviso.

O síndico deve evitar dois extremos: lavar as mãos dizendo que é problema particular ou agir como investigador. A postura mais segura é procedimental: acolher a comunicação, registrar, preservar provas, acionar apoio técnico/jurídico e orientar a busca da autoridade competente.